Goiás semeia a cultura da inovação



Goiás está entrando em um novo ciclo, um momento focado em inovação e competitividade. Uma série de ações têm acontecido e acredito ser apenas o começo de um novo perfil do mercado. Em breve disponibilizarei um material sobre a Lei da Inovação, entre outros, aqu ino Blog.

Por agora, uma reportagem com o Secretário de Ciência e Tecnologia, Joel de Sant´Anna Braga Filho:

“A melhoria da produtividade tem o seu efeito positivo na empresa no tempo presente de sua existência. Mas esse procedimento não é, de forma alguma, a garantia de êxito para o futuro. O futuro passa, portanto, pela inovação tecnológica. Desconhecer que a inovação envolve incertezas é insensatez. Afinal o futuro é um tempo desconhecido. Mas fechar os olhos à necessidade de se descobrir novos produtos adequados ao futuro também é insensatez. E isso pode ser muito perigoso à vida da empresa. A inovação exige uma certa audácia dos empresários no sentido de que assumam o risco na geração de novas tecnologias e novos produtos.

Segundo do diretor-geral da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec), Roberto Nicolsky, o Brasil está “com um déficit brutal em inovação tecnológica”. Nicolsky aponta acomodação do empresariado brasileiro, o qual, segundo ele, “está preferindo importar componentes a criar uma fábrica para produzir localmente, ficando no Brasil apenas o trabalho de montagem do produto.” Isso, conforme ele, no segmento de informática. Outro aspecto levantado por Nicolsky é com relação à dependência do Brasil no sentido de obter da China autorização para crescimento. Ou seja, se aquele país asiático cresce, consequentemente vamos a reboque pela venda de commodities agrícolas e minerais.

Não são nada auspiciosos os dados apresentados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O Brasil, segundo a Secex, devido à falta de investimento em inovação, pode ter a sua fatia no mercado internacional diminuída. E mais: pode, inclusive, ter sérios problemas no mercado interno, com seus produtos sendo preteridos. O Brasil precisa abandonar a tecla antiga de seu modelo de industrialização e seguir o exemplo Taiwan e Coréia do Sul. Ao contrário de nós, tais países não trabalham com a substituição de importações. Lá a semente da inovação já é árvore frondosa a dar bons frutos.

Em 2008, uma nova trama começou a se desenvolver, isso motivado pelo olhar atento de algumas lideranças empresariais brasileiras, que já estão se atentando para o problema de não-aplicabilidade da inovação. Isso gerou, portanto, a Mobilização Empresarial pela Inovação, evento lançado pela Confederação Nacional da Indústria.

Ontem, o auditório da Federação das Indústrias do Estado de Goiás foi palco de um grande evento protagonizado pelo governador Alcides Rodrigues, que realizou o ato de lançamento da Lei de Inovação -  Lei Nº. 16.922, de 8 de fevereiro de 2010 -, aprovada recentemente pela Assembleia Legislativa e já sancionada. Outra ação do governador no mesmo evento foi a assinatura da ordem de serviço, a qual autoriza a Secretaria de Ciência e Tecnologia (Sectec) a organizar a edição de Programa de Fomento à Pesquisa e Inovação Tecnológica na Empresa (Pappe-Integração). Esse trabalho de organização da Sectec será em conjunto com a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) – uma das agências financiadoras do Ministério da Ciência e Tecnologia -, a Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapeg) e outros parceiros.

A perspectiva é de que este programa invista o montante de R$18 milhões em incentivo à pesquisa e inovação tecnológica nas empresas em Goiás de forma subvencionada, sem contrapartida. A maior parte dos recursos, cerca de R$ 9 milhões, virá da FINEP, originário do Pappe-Integração (nacional), que possui R$ 100 milhões para distribuir entre os Estados do Centro-Oeste, Norte e Nordeste do País.

O Governo de Goiás deverá investir R$ 5,5 milhões neste programa, por meio da Fapeg e Sectec. A ordem de serviço assinada pelo governador assegura o percentual de 30% dos recursos para apoio aos projetos de micro e pequenas empresas e os outros 70% para as indústrias.

O programa será um dos grandes incentivos do Governo de Goiás para fomentar a inovação tecnológica nas empresas, agora com o amparo da Lei de Inovação, fazendo com que o setor participe das redes de pesquisa de forma articulada com as universidades e institutos de pesquisa.

A Lei de Inovação, lançada pelo governador Alcides, é uma semente muito importante, cuja germinação (e consequentemente a geração de bons frutos) vai depender do grau de envolvimento dos empresários. Sem engajamento e audácia, o futuro das empresas não será nada promissor.”

Joel de Sant´Anna Braga Filho é secretário de Ciência e Tecnologia, odontólogo e membro da Academia Goianiense de Letras

Fonte: Diário da Manhã

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